O mercado de tecnologia tributária ganhou um novo ator disposto a disputar espaço no segmento de revisão de IPTU. A Desonera, fundada em 2023 pelos empreendedores Natasha Ribeiro, Eduardo Ribeiro e Gustavo Monteiro, amplia agora seu alcance para além do público pessoa física, mirando fundos imobiliários e holdings patrimoniais. O movimento reflete uma estratégia natural de crescimento: depois de consolidar operações com proprietários individuais, a startup busca escalar ao atender clientes com portfólios mais complexos e desafios tributários de maior magnitude.
A decisão de abrir as portas para instituições não é apenas um ajuste comercial. Representa reconhecimento de que o segmento imobiliário institucional carece de soluções ágeis e acessíveis para auditoria de lançamentos do IPTU. Enquanto holdings e fundos de investimento imobiliário gerenciam dezenas ou centenas de propriedades, muitas vezes carecem de processos eficientes para revisar possíveis erros de avaliação fiscal. É exatamente nesse vácuo que startups de tecnologia tributária encontram oportunidade de diferenciação.
O histórico da Desonera com pessoas físicas demonstra que há demanda refresca pelo tema. O modelo de negócio típico dessas plataformas envolve análise de lançamentos fiscais, identificação de discrepâncias e orientação para impugnação junto aos órgãos municipais — tudo com margens interessantes. Para fundos e holdings, a equação é ainda mais atrativa: economia em escala permite reduzir custos operacionais da revisão enquanto mantém margens robustas.
O movimento da Desonera se insere em tendência maior de empresas que começam com foco em varejo e, após validação de modelo, direcionam esforços para o segmento B2B institucional. A aposta é que a expertise construída no atendimento ao proprietário individual — desde a captação até a resolução de contestações — será facilmente escalável para cliente de natureza corporativa, que já possui estrutura legal e financeira consolidada.
Com essa expansão, a startup entra em um jogo mais competitivo: haverá confronto direto com consultoras tradicionais de tributária imobiliária, além de possibilidade de parcerias com gestoras de fundos que buscam terceirizar essa função. Tempo dirá se a combinação de agilidade tecnológica e expertise tributária será suficiente para conquistar espaço em um mercado tradicionalmente dominado por players estabelecidos.
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